sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Exposição ComCiência - Patrícia Piccinini


Está instalada no Centro Cultural Banco do Brasil a exposição da artista australiana Patrícia Piccinini. Usando esculturas e meios audiovisuais, ela apresenta criaturas imaginárias de forma hiper-realista.

A exposição instiga à reflexão sobre a empatia diante daqueles que são diferentes de nós, e levanta questões sobre engenharia genética e tecnologia.

Mas, infelizmente, ouvi frases como "credo!", "misericórdia, isso é coisa do Cão!", "essa artista é doente, tá amarrado!", "por isso que é gratuito, só tem coisa feia!", e outras que prefiro nem reproduzir, referentes aos aspectos sexuais das obras.

Mais uma vez confirmo na prática minha teoria de que a ignorância é a mãe do preconceito, do ódio e do medo.

No mais, as obras são magníficas. Me remeteram a Lovecraft, Giger, Glauco Longhi e Zdzisław Beksiński.

Altamente recomendada. E gratuita.

Serviço:

De 12/10/2015 a 04/01/2016.
De quarta a segunda.
Das 09:00 às 21:00.
Entrada franca.


Confiram as fotos que tirei de algumas obras:

Big Mother

The Comforter

The Observer

The Long Awaited

Sphynx

Metaflora - Twin Rivers Mouth

Boot Flower

Undivided

The Welcome Guest

The Lovers



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil.



Por que o feminismo é importante?

Porque a violência contra a mulher ocorre de forma diferente da que acontece entre os homens: elas são vítimas pelos simples fato de serem mulheres.

As causas não são brigas, assaltos ou acidentes de trânsito. São ciúme, possessividade, abuso, intolerância, desprezo e a ideia de que mulheres são coisas, e não pessoas. Coisas que podem ser tratadas com violência.

Por homens.

A misoginia é fruto do machismo. E é isso que o feminismo combate.

Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil.


Em decorrência das diversas ações nacionais e internacionais pelo fim da violência contra as mulheres, a FLACSO Brasil (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) publicou um novo Mapa da Violência, desta vez, focado na dinâmica dos homicídios femininos nos últimos anos.

Esse estudo tem o apoio do escritório no Brasil da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Fiz um resumo bastante conciso de alguns fatos importantíssimos relatados no texto:

  • 50,3% das mortes violentas de mulheres são cometidas por familiares 33,2% por parceiros ou ex-parceiros;
  • Entre 2003 e 2013, o número de vítimas do sexo feminino passou de 3.937 para 4.762, incremento de 21,0% na década. Isso representa 13 homicídios femininos por dia em 2013;
  • De acordo com os dados da OMS, o Brasil tem taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, em 2013, o que coloca o país na 5ª posição internacional, entre 83 países do mundo;
  • As taxas das mulheres e meninas negras vítimas de homicídios cresceu de 22,9% em 2003 para 66,7% em 2013, indicando que a vulnerabilidade desse grupo aumentou em 190,9%;
  • Há um crescimento vertiginoso da violência contra as mulheres a partir dos 10 anos de idade, culminando no período que vai dos 18 aos 30, e com um lento declínio até a velhice. Ou seja, é quando elas estão na idade com mais probabilidade de se relacionar com homens que o perigo de homicídio aumenta;
  • Nos homicídios masculinos predomina a utilização de arma de fogo (73,2%), nos femininos essa incidência é bem menor: 48,8%, com o concomitante aumento de estrangulamento/sufocamento, cortante/penetrante e objeto contundente, indicando maior presença de crimes de ódio ou por motivos fúteis/banais;
  • Quase a metade dos homicídios masculinos acontece na rua, com pouco peso do domicílio. Já nos femininos, essa proporção é bem menor: 31,2% acontecem na rua, 25,2% em estabelecimento de saúde e 27,1% acontecem na residência da vítima, indicando a alta domesticidade dos homicídios de mulheres.
O texo completo do relatório, bem como o comunicado para a imprensa e as planilhas com os dados correspondentes aos 5.565 municípios reconhecidos pelo IBGE estão disponíveis no link oficial abaixo.



terça-feira, 28 de julho de 2015

Guia Para Não Ser um Babaca Quando Acusado de Racista, Homofóbico ou Machista



Às vezes, pisamos na bola. TODOS NÓS. Mesmo quem tenta não pisar. Quando o assunto é machismo, racismo e homofobia, a coisa fica mais complicada. Todos nós fomos criados com essas ideias imbecis como parte de nossa educação e é difícil se ver totalmente livre delas.
Em minhas diversas leituras pela internet, encontrei um texto que resolvi traduzir e adaptar. Espero que ajude, e se alguém tiver algo a acrescentar ou criticar, por favor, eu agradeço.

Guia Para Não Ser um Babaca Quando Acusado de Racista, Homofóbico ou Machista

1) Respire. Fique calmo. Permaneça civilizado. Se alguém disser "eu acho que isso soa um pouco racista/homofóbico/machista", não confunda isso com "você é um escroto racista da Ku Klux Klan" ou "você é um neo-nazista estuprador". Nos primeiros dez ou vinte segundos qualquer resposta que você der provavelmente virá de sua atitude defensiva, e não de seu cérebro, então provavelmente você não deve dizer o que primeiro vier à sua mente. Aliás, quase nunca a primeira coisa que vier à sua mente é a melhor, seja lá qual for a situação.

2) Leve as críticas a sério - não as dispense sem pensar nelas. Não as invalide. Especialmente se a crítica vem de alguém que é vítima diariamente desse tipo de comportamento. Negros, pessoas LGBT e mulheres tendem necessariamente a estar mais cientes do preconceito e percebem coisas que outros podem ignorar.

3) Não leve pro pessoal. Geralmente a coisa a fazer é pedir desculpas pelo que disse, mudar sua postura e seguir em frente. Especialmente se você estiver em um grupo de amigos ou algo assim, resista ao seu desejo de transformar a reunião em um seminário sobre "Como Você É Contra Isso". O assunto da conversa não é, provavelmente, "seus muitos amigos próximos que são negros ou gays, e sobre sua aversão duradoura, profunda e sincera ao machismo."

Pense nisso como se alguém te avisasse que você precisa limpar o nariz, porque tem uma grande bola de ranho pendurada para fora. A única coisa a fazer é dizer "oh, desculpe-me", limpar o nariz, e seguir em frente. Insistir para que todos deem tapinhas nas suas costas e te tranquilizem dizendo que sabem que você nem sempre têm meleca pendurada em seu nariz, antes que a conversa possa prosseguir, não é produtivo.

Texto original: http://bit.ly/1zcgHpR

quarta-feira, 25 de março de 2015

Em um embate de ideias, tanto o vencido quanto o vencedor saem ganhando.

Um ganha por conseguir demonstrar corretamente seu ponto de vista, que sai reafirmado. O outro, por aprender uma forma melhor de pensar sobre um assunto.

Só há verdadeira derrota quando alguém desiste de argumentar ou desiste de dar ouvidos. Nesse caso, ambos perdem.

sábado, 7 de março de 2015

Engrenagens

Charles Chaplin - Modern Times
“Como, diabos, pode um homem gostar de ser acordado às 6:30 da manhã por um despertador, sair da cama, vestir-se, alimentar-se à força, cagar, mijar, escovar os dentes e os cabelos, enfrentar o tráfego para chegar a um lugar onde essencialmente o que fará é encher de dinheiro os bolsos de outro sujeito e ainda por cima ser obrigado a mostrar gratidão por receber essa oportunidade?”

—   Charles Bukowski, Factotum

Eu te respondo, Velho Buk:

Sendo doutrinado desde a infância pela mídia e pela religião, as ferramentas de lavagem cerebral do poder econômico e político desse mundo de senhores e escravos. Se esse homem (ou mulher) não tiver muita disposição para questionar os dogmas da sociedade e não se propor a usar a razão para analisá-los, vai viver assim até o fim da vida. Conformado e talvez até feliz.

Como uma vez que os olhos se abrem para essas questões eles não podem mais ser fechados, a saída é procurar fazer algo que dê prazer e ser mais resistente à sedução do consumismo, que é mais um dos grilhões psicológicos que nos prendem nessa máquina de exploração. Menos raízes e mais asas.

Mas não é fácil, porque somos unidades produtoras-consumidoras nesse sistema, engrenagens nessa máquina. Substituíveis e intercambiáveis. Os donos da máquina não querem perder peças. E libertar-se pode privá-los de uma parcela do lucro. E, por mais ínfima que seja essa parcela que representamos, se mais de nós começarmos a enxergar isso, o sistema se desmantela. E isso é inadmissível pra eles. Portanto, vão fazer de tudo pra nos impedir de escapar desse ciclo.