sábado, 7 de março de 2015

Engrenagens

Charles Chaplin - Modern Times
“Como, diabos, pode um homem gostar de ser acordado às 6:30 da manhã por um despertador, sair da cama, vestir-se, alimentar-se à força, cagar, mijar, escovar os dentes e os cabelos, enfrentar o tráfego para chegar a um lugar onde essencialmente o que fará é encher de dinheiro os bolsos de outro sujeito e ainda por cima ser obrigado a mostrar gratidão por receber essa oportunidade?”

—   Charles Bukowski, Factotum

Eu te respondo, Velho Buk:

Sendo doutrinado desde a infância pela mídia e pela religião, as ferramentas de lavagem cerebral do poder econômico e político desse mundo de senhores e escravos. Se esse homem (ou mulher) não tiver muita disposição para questionar os dogmas da sociedade e não se propor a usar a razão para analisá-los, vai viver assim até o fim da vida. Conformado e talvez até feliz.

Como uma vez que os olhos se abrem para essas questões eles não podem mais ser fechados, a saída é procurar fazer algo que dê prazer e ser mais resistente à sedução do consumismo, que é mais um dos grilhões psicológicos que nos prendem nessa máquina de exploração. Menos raízes e mais asas.

Mas não é fácil, porque somos unidades produtoras-consumidoras nesse sistema, engrenagens nessa máquina. Substituíveis e intercambiáveis. Os donos da máquina não querem perder peças. E libertar-se pode privá-los de uma parcela do lucro. E, por mais ínfima que seja essa parcela que representamos, se mais de nós começarmos a enxergar isso, o sistema se desmantela. E isso é inadmissível pra eles. Portanto, vão fazer de tudo pra nos impedir de escapar desse ciclo.

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