"Pois aquele que não tem dois terços do dia pra si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito.”
- Friedrich Nietzsche - "Humano, Demasiado Humano"
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Segundo o sociólogo polonês e crítico da modernidade Zygmunt Bauman, hoje vivemos em um "tempo líquido". De acordo com essa análise, as coisas se desgastam, as relações são descartáveis, as personalidades são fluidas e inconstantes. É a lógica que sempre critico, que condiciona as relações humanas, internas e externas, às leis do consumismo, onde consumir e descartar é um ciclo vertiginoso e sem fim.
Com o excesso de estímulos e informações, temos a impressão de que as 24 horas do dia não nos bastam, e que sempre estamos atrasados, perdendo algo.
Claro que isso é imposto pelo sistema econômico dos nossos tempos, que nos obriga a extrair o máximo de produtividade das horas. O resultado é uma sociedade doente, exagerada e desequilibrada, onde esgotamento físico e mental, ataques de ansiedade, stress e depressão são cada vez mais comuns.
Temos cada vez menos tempo para o lazer e a convivência, e mesmo esse espaço é invadido pela sensação de urgência e instantaneidade. Vivenciamos nossas férias e finais de semana muitas vezes esquecendo de reservar um tempo para não fazer nada e simplesmente descansar.
Por nunca pararmos, não temos tempo para refletir sobre nossas experiências, e assim nossa própria evolução enquanto indivíduos está comprometida.
Mas como desacelerar? Se nos exigem que estejamos sempre correndo, se quisermos nos alimentar, nos vestir, morar? Isso sem contar que muitas vezes só temos acesso ao lazer que mencionei lá em cima pagando por isso. Se alguém souber a resposta, por favor, me ilumine.